Manifestantes em Anchorage, capital do Alasca, horas antes do encontro marcado entre Putin e Trump: o líder russo quer reconhecimento de sua política de expansão; jáo presidente americano quer palco para valorizar a nova postura protecionista e anti-multilateralista dos EUA.
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Com a guerra na Ucrânia em um impasse, Rússia busca consolidar ganhos territoriais e obter o reconhecimento. Já Trump tende a usar o encontro como palco para reafirmar seu estilo de negociações diretas, sem alianças multilaterais e foco em interesses econômicos imediatos
O “8 de janeiro de paletó”: para libertar a democracia brasileira do cativeiro representado pela invasão da mesa diretora da Câmara, os extremistas exigiram impunidade total para si e seus aliados, além da punição a quem ousou investigá-los, julgá-los e condená-los.
Foto Agência Brasil / José Cruz
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Episódio desnudou a essência do fazer político da extrema-direita antidemocrática global na última década: sequestrar a democracia, fechar o regime e instaurar projeto autocrático, iliberal e populista.
O excedente limpo e barato de energia do lado paraguaio de Itaipu tornou-se alvo natural para uma nova forma de exploração hídrica e territorial. Em vez de impulsionar a industrialização local ou atender às necessidades sociais da população, essa energia passaria a sustentar infraestruturas digitais controladas por corporações estrangeiras. Fica claro que o atual governo americano visa apropriar-se de nossos recursos para sustentar projeto de domínio digital sustentado por infraestrutura alheia, energia barata e soberanias enfraquecidas.
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Empresas como Google, Amazon e Microsoft já reportaram que seus maiores gargalos operacionais para expansão de IA estão na escassez de energia disponível. Datacenters consomem enormes volumes de água para resfriamento
Reduzir déficits comerciais, trazer de volta as indústrias para os Estados Unidos, aumentar o nível de emprego e gerar recursos para reduzir impostos parecem estar entre os objetivos do tarifaço truculento e mal explicado do governo Trump, que a partir de hoje atinge duramente os produtos brasileiros.
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Postura diplomática do Brasil, um dos países mais afetados, indica para o mundo a busca por uma espécie de paciência estratégica. Valentões, em geral, precisam de público e do medo de suas potenciais vítimas
Um sorridente Javier Milei cumprimenta Trump em viagem aos EUA. Para conseguir as tarifas mais baixas da América do Sul, Milei aliou-se econômica e ideologicamente aos EUA. Anunciou que vai conceder cidadania a grandes investidores americanos e ameaça deixar Mercosul para criar acordo de livre comércio com os EUA. Mas nada é garantido diante do caráter volátil da atual política externa americana.
Foto: Embaixada dos EUA na Argenina
Preservar fronteiras já não é suficiente. Para um país manter-se soberano hoje, é preciso capacidade de reação frente a dispositivos extraterritoriais, sanções e normas aplicadas por potências dominantes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa no fórum de democracia e multilateralismo realizado em santiago, em julho: ao misturar tarifas econômicas que desagradaram os próprios americanos com sanções políticas fora de propósito, o governo Trump recuou e ajudou o presidente brasileiro a reforçar discurso da soberania, da defesa da democracia e da independência entre os poderes.
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Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Ao misturar tarifas econômicas que desagradaram os próprios americanos com sanções políticas fora de propósito, o governo Trump ajudou o presidente brasileiro a reforçar discurso da soberania, da defesa da democracia e da independência entre os poderes
Perfil da “Dra. Rosemary Galbraith” no Facebook: um exemplo de almanaque das fraudes cada vez mais sofisticadas que usam a Inteligência Artificial para ludibriar clientes, que podem perder não apenas tempo e dinheiro, mas a própria vida, com promessas falsas de curas e tratamentos milagrosos.
Reprodução/ The Record
Ergon Cugler, Fundação Getulio Vargas (FGV) and Camila Modanez, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Com as novas ferramentas, qualquer rosto ou voz pode ser sequestrado. Qualquer autoridade médica, jornalística ou científica pode ser falseada para vender produtos e tratamentos fraudulentos, colocando até a vida das vítimas em risco.
Os vídeos feitos por IA inauguram uma nova fase das teorias da conspiração. Antes, elas se espalhavam por texto, áudio, fóruns obscuros ou vídeos com edições suspeitas. Hoje, elas vêm renderizadas em 4K, com linguagem de divulgação científica, ritmo de storytelling e estética de jornalismo investigativo.
Reprodução
Ergon Cugler, Fundação Getulio Vargas (FGV) and Camila Modanez, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Com ferramentas de IA, qualquer pessoa pode transformar delírios em vídeo com qualidade cinematográfica. O que antes era descartado como devaneio hoje ganha seguidores e gera dinheiro. É aprofissionalização da conspiração.
Luis Eduardo Tavares, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
A emergência de riscos inéditos de intervenções externas, como um possível cenário eleitoral em 2026 dominado pela manipulação de vídeos de IA, evidencia que a política tecnológica é também disputa por soberania e justiça social
Protesto contra a política econômica de Trump em Cleveland, EUA.
AP Photo/John Minchillo
Ana Carolina Marson, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Ao elevar tarifas, governo dos EUA pressiona as empresas a reorganizarem suas operações, o que pode levar à reconfiguração das CGVs por meio de realocação produtiva, práticas de nearshoring ou diversificação de fornecedores
Falácia comercial, protecionismo disfarçado, reação geoeconômica, tentativa de enfraquecer o BRICS e ataque à democracia brasileira estão entre as possíveis intenções do pacote de ataques ao Brasil representado pelo tarifaço americano.
AP Photo/Jacquelyn Martin
Euzébio de Sousa, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Falácia comercial, protecionismo disfarçado,
reação geoeconômica, tentativa de enfraquecer o BRICS e ataque à democracia brasileira estão entre as intenções do pacote de ataques ao Brasil representado pelo tarifaço americano
Muita calma nessa hora: assim como já ocorreu com outros países, reação da diplomacia brasileira frente ao tarifaço de Trump deve ser firme mas fleumática, reforçando o discurso da soberania nacional e da inadmissibilidade de intervenções estrangeiras em decisões do Poder Judiciário.
AP Photo/Eraldo Peres
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
‘Altivez serena’ é a receita de especialistas para a diplomacia brasileira lidar com atitude intempestiva e irracional do presidente americano ao dizer que vai taxar todos osprodutos brasileiros em 50%
A decisão do STF deve ser entendida como um gesto de contenção institucional frente ao poder dos algoritmos de recomendação das plataformas, que passaram a organizar o espaço informacional por meio de uma curadoria opaca.
Imagem: Freepik
Luis Eduardo Tavares, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
A decisão do STF deve ser entendida como um gesto de contenção institucional frente ao poder dos algoritmos de recomendação das plataformas, que passaram a organizar o espaço informacional por meio de uma curadoria opaca
O plenário do Supremo, no dia do julgamento da constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet.
AP Photo / Eraldo Peres
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Decisão do Supremo Tribunal Federal aproxima o Brasil de legislações internacionais e obriga redes sociais a removerem conteúdos ilícitos de forma proativa. Congresso, no entanto, se mantém ausente do debate
Manifestante durante o evento bolsonarista na Avenida Paulista: sempre marcado por traços de masculinismo e misoginia, os eventos mais recentes da direita usam um imaginário de religião, sacrifício e feminismo, por conta das mulheres presas pelos atos de 8 de janeiro, tidas como “mártires”.
AP Photo/Ettore Chiereguini
Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) and Álex Kalil, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Diante da inelegibilidade de Bolsonaro, da criminalização da [tentativa de golpe, da prisão de centenas de manifestantes e do afastamento dos militares, o campo bolsonarista precisou reorganizar sua gramática política
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, visita uma exposição sobre as conquistas nucleares do país, em Teerã: o atual cessar-fogo com Israel surge como uma trégua frágil em meio a um contexto de extrema volatilidade, onde ainda pesa para os iranianos um sentimento de humilhação que gera pressão interna por uma resposta futura às hostilidades recentes.
Foto: Divulgação / Governo do Irã
A tese de que o Irã nuclearizado poderia criar um equilíbrio de poder com Israel é aceita na comunidade internacional, mas carece dos elementos que garantiram sua eficácia durante a Guerra Fria
Manifestantes se reúnem do lado de fora da Casa Branca, domingo, 22 de junho de 2025, em Washington, para protestar contra o ataque militar dos EUA em três locais no Irã no início do domingo.
AP Photo/Jose Luis Magana
Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
O bombardeio das instalações iranianas parece mais um capítulo do modelo de guerra que os EUA vêm aperfeiçoando desde 11 de setembro de 2001: intervenções pontuais, juridicamente ambíguas, tecnologicamente sofisticadas e de alto impacto midiático.
Leão XIV, primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, com formação agostiniana e experiência pastoral na América Latina, reúne atributos que ampliam a capacidade de interlocução do Vaticano no diálogo entre o Norte e o Sul global.
AP Photo/Domenico Stinellis
Relevância da Santa Sé no cenário geopolítico se ancora na autoridade moral e na capacidade de mobilizar uma linguagem ética capaz de tensionar narrativas dominantes e catalisar demandas por justiça e reconciliação
O ditador Viktor Orbán, com seu slogan “Make Europe Great Again”, e o presidente dos EUA Donald Trump: governo da terra da democracia está aplicando cada vez mais os ensinamentos do manual de autocracia do presidente da Hungria que se perpetua há 15 anos no poder.
Fotos de Paul White e Evan Vucci (AP Photo)
Como a supressão da liberdade de expressão e o amordaçamento da imprensa, estratégias autoritárias de controle social típicas do ditador húngaro Viktor Orbán, estão sendo aplicadas de forma semelhante pelo governo Trump
“Popcorn and ice cream sellers”: a mensagem em inglês do ex-presidente pareceu prosaica mas é fruto de narrativa bem construída para descredibilizar eventuais condenações por golpe de Estado e outros crimes no julgamento do STF.
AP Photo/Ettore Chiereguini
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Narrativa do ex-presidente deixou de focar na disputa eleitoral com Lula para colocar em dúvida legitimidade de seus julgadores e preparar terreno para descredibilizar eventuais sentenças condenatórias
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Bibliotecário, historiador e coordenador do Curso de Graduação em Biblioteconomia da FESPSP, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Doutor em Economia e codiretor do Centro de Pesquisa em Macroeconomia e Desigualdades (Made/USP), Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)