Uma pesquisa de opinião quantitativa tradicional, com mil entrevistados, custa cerca de R$ 150 mil e requer tempo para publicar o resultado. Pesquisas geradas por IA generativa, que simulam perfis de eleitores sem entrevistar ninguém de verdade, saem por uma fração desse valor e ficam prontas em minutos. Mas colocam em cheque a credibilidade de seus resultados, pois podem ser manipuladas por quem as encomendou.
Imagem meramente ilustrativa gerada por Inteligência Artificial via Eleven Labs
A promessa de eficiência, rapidez e baixo custo do uso de IA em pesquisas eleitorais esconde o risco de adulteração dos resultados em função dos interesse e quem as encomendou
“O que faria você desistir imediatamente de votar em um candidato?”: essa foi a pergunta feita a seis perfis distintos de eleitores, que variavam de “lulistas” a “bolsonaristas convictos”. O resultado mostrou que a preocupação com a corrupção é um dos fatores mais preponderantes na possível decisão de mudança de voto.
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil, com edição de IA
Carolina de Paula, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem)
As respostas revelam que, por baixo de uma leitura apressada da polarização, ainda existe um conjunto de limites morais e institucionais que orienta a escolha eleitoral dos brasileiros.
Dados da Quaest e uma pesquisa qualitativa do INCT-ReDem indicam que o grupo que rejeita os dois principais polos políticos não é homogêneo — e essa divisão pode influenciar o rumo da disputa presidencial
Cientista política e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), Universidade Federal do Paraná (UFPR)