Erika Hilton (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL), Julia Zanatta (PL), Ana Elisa (PT) e Tabata Amaral (PSB) foram as cinco mais votadas entre as 109 mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados este ano. Os partidos de direita elegeram nove mulheres a mais que os de esquerda, refletindo a onda conservadora que formou maioria no Congresso, e sinalizando uma mudança de perfil na bancada feminina no parlamento.
Fotos: Agência Brasil
Marina Basso Lacerda, Universidade de São Paulo (USP); Universidade de Brasília (UnB)
Urnas deram às mulheres o maior número de representantes na Câmara dos Deputados na história. Pela primeira vez também, maioria é de partidos de direita, reproduzindo a expansão desse campo nestas eleições
Candidato à presidência em vantagem nas pesquisas, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende usar maioria no Congresso para alterar a Constituição. Sem dar detalhes, gera insegurança acerca de suas intenções.
Foto: Agência Brasil
Será o fim da “Nova República” e do Estado Democrático de Direito instaurado com a Constituição de 1988? O risco é muito elevado
Elon Musk, um dos bilionários da tecnologia que já não escondem mais gestos, tendências e estratégias em suas relações com o governo antidemocrático de Donald Trump.
Ilustração: Reprodução / Fundação Conrado Wessel
Já há um bom tempo, as grandes empresas detecnologiaresponsáveis pelosprincipais sistemas de IA têm feito alianças cada vez menos discretas com regimes que desprezam a democracia e primam pelo autoritarismo
Num pleito que já elegeu para o Poder Legislativo mulheres antifeministas e que negam o feminicídio, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam diferentes caminhos para tratar da proteção das mulheres: de um lado, a ênfase na articulação entre prevenção, rede de proteção e resposta estatal; de outro, uma combinação entre inteligência artificial e endurecimento da punição.
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Natascha Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Num pleito que já elegeu para o Poder Legislativo mulheres antifeministas e que negam o feminicídio, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam diferentes caminhos para tratar da proteção das mulheres: de um lado, a ênfase na articulação entre prevenção, rede de proteção e resposta estatal; de outro, uma combinação entre inteligência artificial e endurecimento da punição
Nikolas Ferreira, 30, e Lucas Pavanato, 28, os dois deputados mais votados da história do Congresso Nacional, empunham seus principais cabos eleitorais: o combate à violência com mais violência de Estado e mais acesso individual às armas. Inúmeros estudos já mostraram que ambas as estratégias, sozinhas, não se sustentam no esforço pela redução da criminalidade.
Foto: Reprodução Instagram
O Brasil fez uma escolha deliberada por uma agenda de segurança pública fundamentada na força, na expansão punitiva e no armamento individual. Mas décadas de pesquisa mostram que as propostas centrais desse campo raramente entregam reduções dos índices de criminalidade
Eleitor de Bolsonaro vota com dois símbolos emblemáticos da extrema-direita brasileira: a camisa da seleção em dia de eleição, e o boneco do presidente Lula com roupa de presidiário: é preciso investigar o processo que forma bolhas e ondas na política contemporânea. Para o escritor e cientista político Sergio Abranches, ele tem três dimensões: afetiva, valorativa e político-ideológica.
AP Photo/Eraldo Peres
Nenhum governo, hoje, de qualquer convicção política, em qualquer sociedade democrática, tem condições de satisfazer ao povo descontente e desconfiado. No campo democrático, o mais provável é a alta rotatividade, com aumento de governantes que não se reelegem
A mesa diretora da Câmara dos Deputados, presidida por Ulisses Guimarães, no dia da assinatura da Constituição de 1988, que consolidou as bases da condução política, social e econômica brasileira por mais de 30 anos. Para o cientista político Guilherme Casarões, essa era terrmina com a supremacia conquistada pela extrema-direita no Congresso nestas eleições de 2026. E, mesmo que Lula se mantenha no poder Executivo, a democracia brasileira seguirá por rumos ainda imprevisíveis.
Foto: Arquivo Congresso Nacional
O projeto político que surgiu em meados da década de 1980, a partir dos escombros de uma ditadura militar de 21 anos no Brasil, chegou ao fim, e a questão agora é entender o que virá em seu lugar
Flávio Bolsonaro, no discurso após os resultados do primeiro turno: liderança no pleito presidencial e domínio histórico do Congresso exige do grupo político bolsonarista e seus aliados um respeito pela democracia que não foi demonstrado em derrotas do passado.
Gabriela Biló/Folhapress
Débora Thomé, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) ; Fundação Getulio Vargas (FGV); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Uma vez terminadas as eleições, para a manutenção da democracia, será preciso cuidar da solidez das instituições para muito além de garantirem eleições limpas
Posando ao lado do então presidente Jair Bolsonaro, José Acácio Tsererê, suposto integrante do povo Xavante, ganhou notoriedade ao ser apontado como o pivô da confusãp que resultou nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Seu caso revelou à sociedade a existência de ativistas indígenas - ou autodeclarados indígenas - com atuação política inspirada nas visões ultraconservadoras do bolsonarismo. Visões estas que incluem o descaso pela preservação ambiental e pela defesa dos povos originários.
Foto: Reprodução / Instagram
Pesquisadores da Universidade de Viçosa estudam conteúdo postado nas redes sociais para traçar perfil ideológico destes candidatos e suas afinidades com as pautas conservadoras e bolsonaristas
Na projeção de algoritmos usados por pesquisadores da USP e da Univesidade de Pittsburgh, a bancada da direita passaria das atuais 380 para 365 cadeiras no plenário. A esquerda subiria de 115 para 131. E o centro cairia de 18 para 17. A projeção, portanto, não aponta para uma mudança significativa na distribuição ideológica da Câmara, mas indica um ligeiro avanço da esquerda no parlamento brasileiro.
Foto: Ascom / Câmara dos Deputados
Projeção feita por pesquisadores da USP e da Universidade de Pittsburgh aponta para um discreto avanço da esquerda no parlamento
Um dos cartazes da campanha à presidência de Portugal do deputado de extrema-direita André Ventura, em 2025, que continham provocações xenófobas e racistas. O deputado não venceu as eleições, mas seu partido, o Chega, pulou de apenas um representante no Parlamento Português em 2020 para 60 em 2026, e já é a segunda mairor bancada do país.
Foto: Reprodução / Site do partido Chega
Parece impossível não ver ou não reconhecer a sua presença cada vez mais forte em diversos países – mas muita gente ainda nega a existência de um movimento globalmente articulado de ultradireita
O secretário de Estado Marco Rubio, cuja atuação desperta desconfianças no próprio Congresso Americano sobre possível interferência no processo eleitoral do Brasil: a tentativa de um país de influenciar a política interna de outro não é nenhuma novidade. A diferença é que as plataformas digitais agora oferecem uma velocidade e uma camuflagem inéditas para ações do tipo. E o alvo desses ataques não são máquinas, mas sim o próprio debate público, que é inundado por desinformações que corroem a confiança nas instituições democráticas e deformam a percepção dos cidadãos.
Imagem: AFP, via Folhapress
Pesquisas revelam que ameaça eleitoral não atinge somente urnas, mas também sequestra debate público, usando polarização para corroer confiança nas instituições democráticas
O plenário do STF durante o julgamento do caso do Banco Master, que deflagfrou a maior crise de confiança da história do tribunal, às véperas de uma eleição. No passado recente, o Supremo já mostrou ser maior do que um presidente da República que tentou submetê-lo. Agora precisa provar que a legitimidade conquistada não se renova sozinha.
Foto: Agência Brasil
Marjorie Marona, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Pedir o fechamento da Corte, intimidar ministros e retaliar decisões são ameaças. Discutir conflitos de interesse, poder monocrático e privilégios é cobrança legítima
No debate eleitoral brasileiro, propostas fiscais frequentemente ficam presas a uma falsa escolha entre “cortar gastos” (pelo lado da direita) e “gastar mais” (pelo lado da esquerda). Essa simplificação pouco contribui para entender a sustentabilidade das contas públicas.
No debate eleitoral brasileiro, propostas fiscais frequentemente ficam presas a uma falsa escolha entre “cortar gastos” (pelo lado da direita) e “gastar mais” (pelo lado da esquerda). Essa simplificação pouco contribui para entender a sustentabilidade das contas públicas
As redes sociais não criaram o espaço democrático que se esperava para disputas eleitorai.. Pelo contrário, pesquisa realizada pelo autor mostra que candidatos homens que já detinham maior capital e eram da classe política foram aqueles cujas campanhas digitais ganharam maior engajamento. Candidatos com poucos recursos eleitorais estiveram ausentes das redes ou receberam engajamento significativamente menor.
Imagem: Envato
Estudo demonstra que as redes sociais reproduzem formas históricas de desigualdade e exclusão. E esse quadro pode piorar com as novas políticas de moderação de conteúdo da Meta, que permitiram maior circulação de conteúdo político em suas plataformas
Ressentimento social diante das políticas redistributivas; reação moral aos escândalos de corrupção; avanço do conservadorismo religioso e emergência do bolsonarismo estão etre as diversas porém difusas razões que sustentam a alta rejeição ao partido no Brasil.
Foto: Reprodução de TV
Mariana Chaise, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Ressentimento social diante das políticas redistributivas; reação moral aos escândalos de corrupção; avanço do conservadorismo religioso e emergência do bolsonarismo estão etre as diversas porém difusas razões que sustentam a alta rejeição ao partido no Brasil.
Bispo carrega imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e pivô da mais recente polêmica eleitoral nesta campanha de 2026: gramática cultural dominante no Brasil, a religião, mais do que uma simples expressão de fé individual, opera na política como um registro sociolinguístico de ordem e autoridade.
AP Photo/Joedson Alves
No Brasil, a religião é a gramática cultural dominante. Mais do que uma simples expressão de fé individual, a religião opera na política como um registro sociolinguístico de ordem e autoridade
Chuva sobre a cúpula da Câmara dos Deputados, na Praça dos Três Poderes: excesso de foco dos eleitores e da mídia na eleição presidencial prejudica a noção de que a responsabilidade para com a estabilidade política e econômica do Brasil é dividida igualmente entre Executivo e Legislativo, com mediação do Judiciário - o que torna as eleições para o Congresso tão ou mais importantes do que para o Palácio do Planalto.
Eurico Zimbres / Wikimedia Commons
A mudança vai depender de propostas claras e de cidadãos que continuem cobrando resultados depois da eleição. Transformar o Brasil exige instituições que funcionem e uma participação que não termine na urna
Da Ciência depende nossa prosperidade, individual e coletiva. Então, a questão que paira na véspera das eleições é: quais candidatos são mais favoráveis à Ciência? Para a Câmara dos Deputados, o setor tem pela primeira vez na história quatro candidatos - dois deles ex-ministros. Uma bancada plural, formada por cientistas, seria algo inedito no Congressso Nacional.
Imagem: TRE-MT.jus
Artigo traz reflexões sobre a diferenças de importância que os governos executivos dão à Ciência e lembra que este ano, pela primeira vez, quatro cientistas importantes são candidatos à Câmara dos Deputados. Que tal escolher um?
Curtidas, buscas e outros sinais de comportamento alimentam sistemas influenciam o disparo de conteúdos. A Justiça Eleitoral pode regular propaganda, mas é difícil é auditar como dados e decisões automatizadas circulam entre plataformas, provedores de nuvem e data centers em diferentes países. Foto: Envato.
Fabiano Couto Corrêa da Silva, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Curtidas, buscas e outros sinais de comportamento alimentam sistemas influenciam o disparo de conteúdos. A Justiça Eleitoral pode regular propaganda, mas é difícil é auditar como dados e decisões automatizadas circulam entre plataformas, provedores de nuvem e data centers em diferentes países
Ex-professor titular do IUPERJ/Uerj e ex-professor visitante no Departamento de Economia e Administração (FEA), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Cientista política e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), Universidade Federal do Paraná (UFPR)