O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, em encontro com a presidente em exercício da Venezuela Delcy Rodriguez, em Caracas, para a assinatura do contrato de exploração: quando um acordo assim se estende por décadas, envolve participação estatal estrangeira, cláusulas de preferência na compra e influência sobre decisões empresariais, a discussão deixa de ser apenas comercial e passa a ser de poder.
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Quando um contrato de exploração se estende por décadas, envolve participação estatal estrangeira, cláusulas de preferência na compra e influência sobre decisões empresariais, a discussão deixa de ser apenas comercial e passa a ser de poder
Apoiadores do governo rasgam uma bandeira americana ao meio durante um protesto em Caracas.
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A novidade do episódio atual na Venezuela está na combinação de um gesto militar espetacular com uma narrativa de “administração” direta da “transição” no país
O Secretário de Defesa - cargo agora rebatizado para “secretário de guerra”- Pete Hegseth, durante a apresentação da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA.
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Nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos deixa de tratar a América Latina como espaço de cooperação estratégica e passa a enquadrá-la como área direta de contenção, controle e possível intervenção
Avião cargueiro do Pelotão Especial de Fronteira Surucucu sobrevoa a Terra Indígena Yanomami, em Roraima: nas últimas décadas, setores militares passaram a tratar as terras indígenas como potenciais ameaças à segurança nacional, argumentando que sua extensão e autonomia poderiam comprometer a integridade territorial do país.
Foto: Lalo de Almeida / Folhapress
A questão indígena na Amazônia está no centro das disputas sobre território e soberania. A floresta, tradicionalmente tratada pelo Estado como uma fronteira a ser vigiada, é também o espaço de coexistência de centenas de povos
Lancha da Guarda Nacional da Venezuela, durante exercícios de guerra realizados após as agressões americanas contra barcos do país, sob alegação não comprovada de que seriam integrantes de cartéis.
André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
A conjuntura contemporânea, incluindo o centro antiterrorista no Paraguai, coloca as forças estadunidenses mais próximas das fronteiras brasileiras
O destróier da Marinha americana USS Sampson, atracado próximo à entrada do Canal do Panamá: a classificação unilateral do grupo narcortaficante Tren de Aragua como grupo terrorista não autoriza, por si só, a realização de ataques como este perpetrado pelos EUA.
Arquivo / AP Photo
O episódio aprofunda a instabilidade no Caribe e pressiona o Brasil, que mantém uma extensa fronteira com a Venezuela e possui interesses estratégicos na região, a reavaliar sua posição no cenário internacional
Um sorridente Javier Milei cumprimenta Trump em viagem aos EUA. Para conseguir as tarifas mais baixas da América do Sul, Milei aliou-se econômica e ideologicamente aos EUA. Anunciou que vai conceder cidadania a grandes investidores americanos e ameaça deixar Mercosul para criar acordo de livre comércio com os EUA. Mas nada é garantido diante do caráter volátil da atual política externa americana.
Foto: Embaixada dos EUA na Argenina
Preservar fronteiras já não é suficiente. Para um país manter-se soberano hoje, é preciso capacidade de reação frente a dispositivos extraterritoriais, sanções e normas aplicadas por potências dominantes.
Doutoranda em Relações Internacionais no Programa San Tiago Dantas e pesquisadora no Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional, Universidade Estadual Paulista (Unesp)