Uma senhora segura umretrato de Mujica, enquanto aguarda na imensa fila para um último adeus ao ex-presidente em seu funeral: crítica ao consumismo, defesa radical da liberdade como tempo de vida e estilo de vida simples tornaram-se símbolos de autenticidade num mundo saturado de lideranças tecnocráticas.
AP Photo/Santiago Mazzarovich
Mais do que um ícone do Uruguai, Mujica foi um articulador de esperanças no Sul Global e sua ausência ressoará com força em tempos de crise democrática, avanço da ultradireita e descrença na política.
Talvez o que mais explique o fascínio por Mujica, de tantas pessoas ao redor do mundo, seja sua capacidade de simbolizar, até o fim da vida, uma política feita com simplicidade, compromisso com a democracia e defesa de direitos sociais.
José Cruz/Agência Brasil
Coerente entre discurso e prática, Mujica defendia a política como espaço de construção coletiva, de compromisso com a justiça social e de aposta no futuro.
Guerrilheiro, preso político, anistiado, deputado, senador, ministro no primeiro governo de esquerda da história do Uruguai, presidente da república, ídolo de humanistas no mundo inteiro: Como político, ativista e ateu, Pepe Mujica viveu o inferno e o céu, e chega ao fim da vida deixando um legado inesquecível na história dos séculos XX e XXI.
Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República
José Victor Ferro, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas
Para a direita, Mujica era um moderado que não hesitou em fazer concessões à economia de mercado. Para a esquerda, foi uma espécie de guru, que com seu estilo de falar singelo era capaz de congregar a luta pela igualdade social com a democracia
Coordenadora Geral do Observatório Multilateral das Juventudes Frente ao Extremismo e professora de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais, PUC-Rio