Num pleito que já elegeu para o Poder Legislativo mulheres antifeministas e que negam o feminicídio, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam diferentes caminhos para tratar da proteção das mulheres: de um lado, a ênfase na articulação entre prevenção, rede de proteção e resposta estatal; de outro, uma combinação entre inteligência artificial e endurecimento da punição.
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Natascha Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Num pleito que já elegeu para o Poder Legislativo mulheres antifeministas e que negam o feminicídio, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam diferentes caminhos para tratar da proteção das mulheres: de um lado, a ênfase na articulação entre prevenção, rede de proteção e resposta estatal; de outro, uma combinação entre inteligência artificial e endurecimento da punição
Com uma equipe multidisciplinar que reúne diversas instituições espalhadas pelo Brasil, o projeto Eu Decido tenta garantir segurança e ajudar mulheres em situação de violência a buscar ajuda.
Ilustração: Lorena Mendonça/Projeto Eu Decido
Projeto Eu Decido testa aplicativo que dá apoio à decisão e planejamento de segurança para mulheres brasileiras
O estudo debruçou-se sobre 119 processos de homicídio e feminicídio julgados pelos Tribunais do Júri do Rio de Janeiro entre 2024 e 2025, e constatou uma impunidade sistemática, especialmente em casos em que as vítimas são negras, pobres, jovens e de periferia.
Imagem: Freepik.
Análise de processos criminais julgados pelos Tribunais do Júri do Rio de Janeiro mostra impunidade sistemática, especialmente em casos em que as vítimas são negras, pobres, jovens e de periferia
Red pill, black pill, Incel… Termos que designam o comportamento de grupos de homens extremistas que odeiam mulheres se normalizam nas redes digitais e ajudam a atrair cada vez mais jovens para comportamentos misóginos radicais, expondo ainda mais estas mulheres à violência de gênero.
Foto: Envato
É preciso impedir que a radicalização misógina, surgida inicialmente às margens do machismo hegemônico preexistente, torne-se uma nova norma massificada para a banalização da violência contra as mulheres no Brasil
Relatório aponta que as mudanças climáticas poderão empurrar mais 158 milhões de mulheres e meninas para a pobreza extrema nas próximas décadas.
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A emergência climática é global, mas seus impactos são distribuídos de maneira profundamente desigual
Manifestante participa de evento em celebração ao Dia Internacional da Mulher no domingo, dia 8 de março, na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro: no Brasil, as negras são as principais vítimas da violência letal contra as mulheres.
AP Photo/Silvia Izquierdo
No dia 8 de março, mulheres foram às ruas reafirmar seus direitos e lembrar que a realidade de violência e feminicídio é atravessada pelo racismo estrutural: as mulheres negras são as principais vítimas da violência letal feminina no país
Conhecer as histórias e as dificuldades das mulheres - de qualquer origem étnica ou social - para se inserirem num terreno ainda dominado pelo machismo, como a academia, vai fortalecer no público o sentimento de respeito e dignidade feminina, e o reconhecimento da presença das mulheres nas ciências.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Naine Terena, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
No ambiente acadêmico, ainda é comum a ideia de que mulheres deveriam estar em áreas do conhecimento ou profissões associadas a papéis tradicionais de cuidado e com menor prestígio ou remuneração
Lesão corporal dolosa ou tentativa de feminicídio? A fronteira entre diferentes classificações penais nem sempre é clara, sendo atravessada por interpretações jurídicas, sensibilidades morais e orientações institucionais.
Imagem: Freepik
A tipificação adotada por policiais, promotores e juízes em casos de violência contra a mulher determina os rumos de processos judiciais e impacta os números que embasam políticas públicas
Diversos atos foram realizados em São Paulo e outras 90 cidades em dezembro para protestar contra a violência de gênero. Casos expõem a insuficiência da rede de proteção e o modo como o Estado brasileiro falha em garantir o direito das mulheres à vida em nossa sociedade.
Rovena Rosa/Agência Brasil
Casos de feminicídio expõem a insuficiência imperativa da rede de proteção e o modo como o Estado brasileiro sistematicamente falha em garantir o direito elementar das mulheres à vida em nossa sociedade.
Mulheres protestam contra feminicídio nas ruas do Rio: Pesquisa sobre o comportamento da mídia em casos de violência contra a mulher indica que muitas vezes o histórico de violência anterior do perpretador e a situação das mulheres após o crime são omitidos, e o termo “feminicídio” é pouco usado.
AP Photo/Leo Correa
Dar voz às vítimas de violência, abordar os casos sob ótica dos direitos humanos e evitar ênfase à defesa do agressor são alguns dos cuidados a serem tomados pela imprensa na cobertura de casos de feminicídio
Ministério Público do Rio de Janeiro. Coordena o CAO Criminal, o Grupo de Atuação Especializada no Tribunal do Juri e o Grupo de Custódia, Mestre, PUC-Rio
Professora Adjunta do Departamento de Antropologia e professora dos programas de pós-graduação em Antropologia e de Justiça e Segurança, Universidade Federal Fluminense (UFF)