Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

A PUC-SP foi fundada em 1946, a partir da união da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento (fundada em 1908) e da Faculdade Paulista de Direito. Agregadas a elas, mas com estruturas administrativas financeiras independentes, estavam outras quatro instituições da Igreja. Tempo da Universidade Católica de São Paulo, cuja missão era formar lideranças católicas e os filhos da elite paulista.

No início do ano seguinte, o Papa Pio XII concedeu à Universidade Católica o título de Pontifícia e nomeou como primeiro grão-chanceler da instituição o cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota. Também arcebispo de São Paulo, o cardeal Mota foi fundador e um dos principais idealizadores da PUC-SP.

No final dos anos 1960, a PUC-SP começa a desenvolver aquela que seria sua essência: a qualidade acadêmica vinculada à preocupação social. Em 1969, a Universidade criou o primeiro curso organizado de pós-graduação do país. Em 1971, outra proposta acadêmica ousada: o surgimento do Ciclo Básico de Ciências Humanas. Academicamente, a instituição passava a funcionar como uma verdadeira universidade ao valorizar e considerar indissociáveis o ensino, a pesquisa e a extensão.

Em 1973 a Faculdade de Medicina e a Faculdade de Enfermagem de Sorocaba, ambas fundadas em 1951 e pioneiras como faculdades da área da saúde fora do eixo das grandes capitais, foram incorporados à PUC-SP, criando o campus Sorocaba.

As atitudes ousadas da Universidade a colocaram na linha de frente do combate à ditadura militar como defensora da liberdade, dos direitos e da democracia. Nos anos 1970, a Universidade contratou professores que haviam deixado as instituições públicas em que trabalhavam, aposentados compulsoriamente pelos militares. Passaram a fazer parte dos quadros da PUC-SP intelectuais como Florestan Fernandes, Octavio Ianni, Bento Prado Jr., José Arthur Gianotti.

Em julho de 1977, a PUC-SP abrigou a 29ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que havia sido proibida pelo governo de acontecer em universidades públicas. Meses depois, em 22/9, estudantes faziam um ato em frente ao Tuca para celebrar a realização do 3º Encontro Nacional de Estudantes, que também estava proibido pelos militares; os alunos comemoravam ainda a reorganização do movimento estudantil e da União Nacional dos Estudantes (UNE), que atuava na clandestinidade. Foi o estopim: tropas da Polícia Militar, chefiadas pessoalmente pelo Secretário de Segurança Pública Erasmo Dias, invadiram o campus Monte Alegre. Os policiais atiraram bombas sobre os manifestantes e prenderam professores, alunos e funcionários. A invasão causou inúmeros danos à Universidade.

No início dos anos 1980, mais uma atitude ousada da comunidade puquiana e da Igreja Católica paulistana: a então reitora, professora Nadir Kfouri, foi reconduzida ao cargo pelo voto direto de estudantes, professores e funcionários. Com o fato, a PUC-SP se tornou a primeira instituição de ensino superior do Brasil a eleger seu reitor por uma eleição direta entre os membros da comunidade – quatro anos antes do movimento das Diretas Já, que visava à escolha do novo presidente da República pela votação popular – e não mais via Congresso Nacional, como acontecia no período militar.

Nesse mesmo ano (1984), dois incêndios atingem o teatro da Universidade: um dia 22/9 (mesma data da invasão, sete anos depois), outro dia 13/12. O primeiro, a perícia técnica concluiu que foi causado por um problema termoelétrico; o segundo, porém, foi apontado pelos peritos como criminoso.

A partir dos anos 1980, Universidade consolidou seu desenvolvimento acadêmico e comunitário. A graduação e a pós-graduação cresceram em número de cursos e alunos; a Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão (Cogeae), criada em 1983, também ampliou suas atividades; a pesquisa (mestrados, doutorados e iniciação científica) seguiu o mesmo caminho. Às áreas de reconhecida excelência e tradição se juntaram outras, inovadoras (pós em Gerontologia; graduação em Relações Internacionais, Comunicação e Artes do Corpo, Multimeios, Tecnologia e Mídias Digitais, Engenharia Biomédica, Gestão Ambiental, Ciências Econômicas com ênfase em Comércio Internacional – a primeira graduação do país nessa área –, Arte: história, crítica e curadoria, e Conservação e Restauro.

Em 2006, a PUC-SP iniciou um processo de modernização de sua estrutura acadêmico-administrativa, com o objetivo de ampliar a qualidade da produção científica e dos serviços prestados à sociedade; o processo, que marca o início deste quarto período da história da Universidade, culminou com a aprovação do novo Estatuto (2008) e do novo Regimento Geral da instituição (2009). Foi também em meio a essa modernização que a Faculdade de Teologia voltou a integrar a PUC-SP: criada em 1949 dentro da Universidade, a unidade havia se separado da instituição no início dos anos 70.

Com essas mudanças, a PUC-SP está preparada para enfrentar os desafios atuais e futuros do ensino superior brasileiro. E numa posição privilegiada: o ranking oficial de instituições superiores do Ministério da Educação (MEC), divulgado anualmente, aponta a PUC-SP como a melhor universidade particular de todo o Estado de São Paulo e a segunda melhor do Brasil.

Fonte: ACI

Links

Articles

A poeta, compositora e autora de 21 livros que ajudou a aproximar poesia e música popular brasileira foi a ganhadora do Troféu Tradições 2026, concedido pela União Brasileira de Compositores (UBC). Foto: Cristóvão Tezza

Música e literatura: um mergulho na trajetória da poeta Alice Ruiz entre os livros, as rádios e os palcos

Um passeio pela obra da poeta e compositora Alice Ruiz, que escreveu 21 livros e ajudou a aproximar poesia e música popular brasileira, compondo para as vozes de Zélia Duncan, Arnaldo Antunes e Ney Matogrosso, entre outros
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o ex-jogador Casagrande se encontraram e trocaram presentes após o político ter citado num discurso o craque brasileiro Sócrates e a democracia corinthiana dos anos 1980 como exemplos de que o esporte pode e deve ser mais do que apenas negócio e entretenimento. Imagem: Reprodução de TV

Sócrates, Mamdani, Corinthians e o esporte como direito e organização social, não como favor

Neste domingo, dia 21 de junho, o prefeito de Nova York Zohran Mamdani recebeu do ex-jogador e comentarista Casagrande uma camisa do Corinthians, com o nome de Sócrates, maior ídolo da história do paulistano…
Uma das imagens geradas no projeto IA/AI. Cenas da vida comunitária indígena em 2050 foram imaginadas pelos participantes do projeto e criadas pela IA, com interpretações bastante distintas, tanto pelos participantes quanto pela ferramenta digital. Artista Haylly / Galeria do projeto IA/AI: Inteligência Artificial, Arte e Indigeneidade

Povos indígenas e o bem viver digital: quando a tecnologia precisa aprender a escutar

Na busca por caminhos mais justos para o uso das tecnologias digitais por populações indígenas, projeto propõe ações como a criação de redes digitais entre aldeias e o fortalecimento da educação digital nas comunidades
Sem interpretações: quando há violência deliberada, tortura ou morte gratuita, pouco importa se a vítima é um cão, um gato, um boi ou um animal silvestre. A reprovabilidade deve ser a mesma. Foto: Envato

As respostas da Justiça para a inaceitável violência gratuita contra os animais

Legislação brasileira admite a utilização de animais e, em alguns casos, a sua morte. Mas repudia os maus-tratos e não tolera atividades que gerem dor e sofrimento sem estarem fundamentadas em uma necessidade coletiva
Conhecer as histórias e as dificuldades das mulheres - de qualquer origem étnica ou social - para se inserirem num terreno ainda dominado pelo machismo, como a academia, vai fortalecer no público o sentimento de respeito e dignidade feminina, e o reconhecimento da presença das mulheres nas ciências. Imagem gerada por IA, via Envato Labs

Depoimento: pesquisadora indígena reforça importância da valorização da imagem das mulheres cientistas

No ambiente acadêmico, ainda é comum a ideia de que mulheres deveriam estar em áreas do conhecimento ou profissões associadas a papéis tradicionais de cuidado e com menor prestígio ou remuneração
Cartaz divulgando projeto de escolas cívico-militares em São José dos Campos: no Estado de São Paulo, formato ganhou impulso após a posse do governador Tarcísio de Freitas, que acredita que a militarização é a resposta à percepção de violência nas redes de ensino. Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress

Falta de dados prejudica gestão do ensino público e abre caminho para expansão de escolas cívico‑militares

Mesmo descontinuado, Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim) segue ativo em alguns estados, apoiado nas legislações locais.
Manifestação em São Paulo contra a PL da Devastação, ocorrida no último sábado, 2 de agosto: Segundo Nota Técnica do Observatório do Clima — rede que congrega dezenas de organizações ambientalistas, institutos de pesquisa e movimentos sociais —, dos 66 artigos do PL aprovado, 42 contêm inconstitucionalidades ou retrocessos ambientais. Daí o mote ‘Veta Tudo, Lula’. Foto: Wagner Origenes/Ato Press/Folhapress

O que acontece com o licenciamento ambiental se o PL 2159/21, conhecido como PL da Devastação, for sancionado?

O que se vê em boa parte do PL 2159 são normas para proteger o empreendedor, contra o licenciamento. Empreender é preciso, mas com regras ambientais claras. Mas empreender sem ou com reduzido controle ambiental não é aceitável.
Fernanda Torres em ação: “Ainda estou aqui” é, sobretudo, um grande filme de ator. Divulgação /

Roteiro de ‘Ainda estou aqui’ extrapola cinema e estimula reflexão sobre história, ditadura e verdade

Com um roteiro aparentemente sem grande pretensão, Walter Salles fez um filme de época impecável, numa narrativa que emociona até quem desconhece a história do autoritarismo no Brasil, e que lembra o melhor do neorrealismo italiano
Estudante sueco em sala de aula com headfone no ouvido e livro na mão: preocupado com o uso desenfreado de ferramentas digitais no universo escolar, um dos melhores sistemas de ensino do mundo está estimulando a volta dos livros e da leitura às escolas. AP Photo/David Keyton

Tecnologias de Inovação e Comunicação não são irrefreáveis, nem precisam se antagonizar com livros

Novas tecnologias digitais vieram para ficar mas não eliminam os livros como ferramentas primoridais para o ensino. O governo sueco, um dos países mais avançados do mundo no setor, acaba de descobrir isso
Vinícius durante o último amistoso do Brasil com a Espanha, em março: jogo marcado por tensões com o jogador dentro e fora do campo, por conta do racismo que ele denuncia. AP Photo/Jose Breton

Racismo: Vinícius Jr. e a nova fronteira do preconceito no esporte

A via crucis racial do craque brasileiro nos estádios da Espanha impõe uma indagação: porque logo ele foi o “escolhido” pelos racistas das arquibancadas?
Decisão do TCU fez com que o SUS perdesse R$20 bilhões este ano: segue em curso um processo de desfinanciamento da saúde pública brasileira. AP Photo/Renata Brito

SUS: uma história de insuficiência de recursos que se repete mais uma vez

Decisão do TCU fez com que o SUS perdesse R$20 bilhões este ano: segue em curso um processo de desfinanciamento da saúde pública brasileira
Na visão de Lúcia Santaella, a inteligência artificial é tão humana quanto o ser humano é tecnológico - e essa verdade histórica não pode ser ignorada, sob pena de perdermos o controle sobre a nossa própria evolução.

Análise: inteligência artificial e inteligência natural fazem parte de um mesmo todo chamado Humanidade

Para a doutora em Comunicação e Semiótica Lucia Santaella, com a tecnologia como força dominante da economia, política e cultura, já não é possível dissociar o humano do tecnológico.
Jovem coreano observa miríade de opções na vitrine de uma livraria de rua em Seul: o hábito de ler livros se tornará um diferencial cada vez mais importante para garantir um lugar ao sol na economia digital. AP Photo/Lee Jin-man

O que a literatura pode fazer pela Economia 4.0?

Ler literatura é mais do que dever ou prazer: aumenta e preservar capacidades cognitivas e emocionais ao longo da vida, contribuindo para o aprendizado contínuo exigido pela Revolução Digital.
Pelé menginspirasi jutaan orang dengan kemampuan bermainnya di lapangan sepak bola, tetapi ia juga harus menunjukkan kekuatan untuk melepaskan dirinya dari kendala sosial olahraga. Pictorial Parade/Archive Photos/Getty Images

Melihat karir Pelé di luar lapangan: melawan diktator dan rasialisme di Brasil

Pelé menjadi simbol diaspora orang-orang kulit hitam, titik referensi pan-Afrika, dan ikon kosmopolitan.
Pelé inspired millions with his exploits on the soccer pitch, but also had to confront power to extract himself from the sport’s social constraints. Pictorial Parade/Archive Photos/Getty Images

Pelé was ensnared by ‘Brazilian‑style racism’ but stood firm as dictatorship tried to keep him playing

Pelé become a symbol of the Black diaspora, a pan-African reference point and cosmopolitan icon.

Authors

More Authors