No funeral de um soldado estadunidense morto no Irã, um retrato dos custos militares e sociais que se somam aos prejuízos econômicos globais: em seis meses de guerra, dezoito combatentes morreram e 756 ficaram feridos.
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Transcorrido meio ano, os ataques estadunidenses e israelenses planejados para enfraquecer Teerã acabaram impondo perdas a consumidores, empresas e governos em todo o mundo, sem falar no sofrimento das famílias de militares mortos
Negativização eleitoral: na mensuração dos afetos políticos, aumenta a indiferença.
Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE
Jairo Pimentel, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Também cresceu o número de eleitores que rejeitam um dos campos ideológicos sem mostrar vínculo positivo com o outro. O que sugere que a rejeição ganhou peso próprio e também passou a organizar a relação dos cidadãos com a política
O caso de Maria Luiza Ribeiro Viotti não é um incidente isolado. A assimetria nas relações diplomáticas entre os dois países é constante. Mudam apenas os meios pelos quais os Estados Unidos a concretizam.
Foto: José Cruz / Agência Brasil
A revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos é o ponto mais visível de uma crise que combina tarifas, disputas regulatórias, segurança pública e vistos, e que expõe uma relação estruturalmente assimétrica entre os dois países
Apesar de assumirem maior projeção agora, desentendimentos entre os presidentes da Argentina e do Brasil ocorrem há algum tempo. Começaram em 2019, com o desalinhamento ideológico dos governos de Alberto Fernández e Jair Bolsonaro. Agora seguem entre Lula e Milei, em polos invertidos.
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André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Entre convocações de embaixadores para consultas e rebaixamento das relações, crise diplomática entre os dois países reflete tensões políticas acumuladas há anos
Resultado das eleições colombianas evidencia uma América do Sul mais polarizada, atravessada por redes conservadoras transnacionais e convertida em campo vital de disputa entre grandes potências. A eleição brasileira de 2026 será, portanto, também uma disputa sobre o lugar do Brasil no mundo e sobre o grau de autonomia que o país conseguirá preservar.
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Resultado revela a consolidação de uma nova fase da política externa sulamericana: mais polarizada, mais permeável ao trumpismo e mais exposta à disputa entre Estados Unidos e China
O Secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, conversa com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante encontro do G7 em maio de 2026: Rubio está à frente da decisão de classificar o PCC e o CV como grupos terroristas transnacionais: medida cria uma zona cinzenta que pode colocar bancos, empresas, seguradoras, investidores, plataformas financeiras e fintechs sob escrutínio, com possível influência nas próximas eleições.
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A interferência externa contemporânea raramente aparece como fraude direta sobre urnas. Ela se manifesta por discursos, símbolos, redes sociais, pressão econômica, sanções, tarifas, reuniões seletivas e enquadramentos narrativos
Flávio Bolsonaro, que visita neste dia 26 de maio a Casa Branca, em Washington, na esperança de encontrar-se com Donald Trump, segue trabalhando intensamente para tentar minimizar os estragos da comprovação de seu envolvimento próximo com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro.
Foto: Gabriela Biló / Folhapress
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Percentualmente, parece haver mais eleitores defendendo sua permanência como candidato do que dispostos a votar nele em um eventual segundo turno contra Lula
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção.
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Tathiana Chicarino, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) and Priscila Silvério, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção
Covas abertas às pressas num cemitério em Teerã: quando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos foram seguidos por retaliações contra bases militares americanas e também contra áreas civis e infraestrutura sensível, o ciclo de pressão transformou-se em guerra aberta.
Foto: Departamento Iraniano de Mídia Estrangeira, via AP
Ao tornar exigências públicas e mobilizar forças militares, os EUA elevaram o custo político de recuar. Diante da ausência de concessões nos termos esperados, a lógica da credibilidade empurrou a crise para o uso efetivo da força
Eurodeputados votam favoravelmente ao acordo, no dia 21 de janeiro de 2026: a necessidade de diminuir a dependência em relação aos EUA, tanto em questões de segurança quanto de economia, motivou a União Europeia a assinar o acordo com o Mercosul. Por esse mesmo motivo, há pressões sistêmicas para que a UE coloque o acordo em vigor o quanto antes.
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André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Em negociação desde os anos 90, acordo assinado em janeiro reflete as mudanças contemporâneas e antecipam cenários possíveis para o futuro
Ao afirmar que os Estados Unidos “querem um pedaço de gelo para a proteção do mundo e que a Dinamarca se recusa a concedê-lo, Trump constrói uma narrativa de direito histórico e moral sobre a Groenlândia, instrumentalizando o passado como base para reivindicações presentes.
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Trump não anuncia uma invasão imediata, mas reafirma uma lógica de pressão contínua sobre aliados, tratados não como parceiros estratégicos, e sim como subordinados
Crianças retiram água de um reservatório em um abrigo para famílias deslocadas pela violência das gangues em Porto Príncipe, capital do Haiti.
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Caso do país caribenho revela como a violência organizada passa a regular o acesso à comida quando o Estado perde o controle efetivo do território — uma dinâmica extrema, mas instrutiva, para países como o Brasil
Interpretações políticas, regras paralelas e regimes não coordenados estão entre os efeitos já sentidos com o enfraquecimento que órgãos reguladores causado pela redução da participação norte-americana.
Imagem: ONU
Processo inclui tanto retiradas formais quanto reduções drásticas de financiamento em áreas como desenvolvimento, saúde global e programas humanitários
Nayib Bukele e Javier Milei, durante cerimônia na Casa Rosada, ano passado: considerados hoje os dois maiores líderes da direita radical na América Latina, os presidentes de El Salvador e da Argentina sofrem um revés com a derrocada do ex-presidente brasileiro e o provável enfraquecimento do bolsonarismo no país.
AP Photo / Natacha Pisarenko
André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Um dos poucos países que conseguiu reverter a onda recente de autocratização, Brasil abre precedentes para que outros países que passem por situações semelhantes tenham condições de responder com as ferramentas democráticas e evitar novos golpes e desvios
Lancha da Guarda Nacional da Venezuela, durante exercícios de guerra realizados após as agressões americanas contra barcos do país, sob alegação não comprovada de que seriam integrantes de cartéis.
André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
A conjuntura contemporânea, incluindo o centro antiterrorista no Paraguai, coloca as forças estadunidenses mais próximas das fronteiras brasileiras
Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, e Jorge “Tuto” Quiroga, do Aliança Livre, são os candidatos conservadores que disputarão o segundo turno na Bolívia, marcado para dia 19 de outubro.
Foto: Reprodução de TV
André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Apesar da decisão final sobre a Presidência ainda não ter ocorrido, resultado do primeiro turno aponta um movimento inédito na política boliviana, devido à derrota do Movimiento al Socialismo (MAS), partido que governa o país desde 2006
Lula e Trump na ONU: discursos antagônicos representaram duas visões distintas do mundo que estão levando a uma nova divisão econômica e geopolítica mundial, e que tem o BRICS como bloco cada vez mais protagonista.
Montagem com fotos de Angelina Katsanis e Richard Drew /AP Photo
Falas configuram duas visões antagônicas sobre comércio exterior e geopolítica.
Um marcado pela defesa do multilateralismo, outro focado na construção de uma nova ordem internacional baseada na competição econômica sem limites
O julgamento de Bolsonaro ilustra a função essencial da democracia constitucional: demonstrar que até mesmo líderes eleitos devem se submeter às regras do jogo democrático. Ao barrar a corrosão “por dentro”, o Brasil mostrou que suas instituições ainda podem conter o autoritarismo. Mas a lição é dupla: a decisão representa uma vitória da legalidade, ao mesmo tempo em que revela que o risco de erosão institucional continua presente.
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Ao articular uma cooperação pragmática com países como Chile, Uruguai, Bolívia, Argentina, Colômbia e Peru, o país poderia estruturar cadeias regionais de valor, fortalecer a resiliência frente à pressão das grandes potências e aumentar sua influência em temas vitais para o atual momento, como a transição energética, os semicondutores e a inteligência artificial
Num contexto de desinformação e fake news produzidas nas sombras, o discurso de censura e perseguição contra extremistas como Jair Bolsonaro começa a fazer sentido para parte da opinião pública. Recente pesquisa do Datafolha, divulgada dias antes da ocupação do Congresso por políticos de extrema-direita, mostrou que 45% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente está sendo perseguido e injustiçado.
AP Photo/ Luis Nova
Em um contexto de desinformação, o discurso de censura e perseguição começa a fazer sentido, minando as instituições democráticas e favorecendo forças políticas interessadas em tomar poder sem respeito às normas do Estado de Direito.
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Bibliotecário, historiador e coordenador do Curso de Graduação em Biblioteconomia da FESPSP, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Doutor em Economia e codiretor do Centro de Pesquisa em Macroeconomia e Desigualdades (Made/USP), Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)