Quando a ONU anunciou a realização da COP 30 no Brasil, em pleno coração da Amazônia, a promessa do governo brasileiro foi de que o encontro de cúpula sobre o clima em Belém do Pará seria o maior e mais importante da história. Dois meses após o fim do encontro, o que mudou? Os acordos discutidos e assinados em Belém significaram avanços concretos na luta global contra o os efeitos das mudanças climáticas? Como ficam os maiores desafios ambientais brasileiros? Até que ponto as radicais mudanças geopolíticas que o mundo enfrenta neste começo de 2026 - em que o petróleo volta a ser o centro da cobiça e protagonista de conflitos militares - prejudicam os compromissos globais com a descarbonização?
Estes e outros assuntos foram discutidos na manhã desta terça-feira, dia 27 de janeiro, por alguns dos mais conceituados cientistas do Brasil que estiveram presentes na COP 30, em um seminário na sede da Finep, no Rio de Janeiro, organizado pelo The Conversation Brasil em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos do governo federal.
Assista ao seminário na íntegra:
O evento “Brasil Pós-COP: Os desafios da Ciência no dilema entre a redução dos impactos das mudanças climáticas e a manutenção do crescimento econômico” reuniu alguns dos principais especialistas brasileiros em mudanças climáticas, preservação ambiental e gestão territorial, marcando o encerramento do projeto “De Olho na COP 30”, iniciativa conjunta do The Conversation e da Finep que acompanhou, por mais de um ano, as expectativas da comunidade científica sobre a conferência realizada em Belém.

O seminário foi mediado pela cientista Ima Vieira, doutora em Ecologia pela Universidade de Stirling, pesquisadora do Museu Paraense Emilio Goeldi, membro titular da Academia Brasileira de Ciência (ABC) e assessora da presidência da Finep; e pela coordenadora de redes sociais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e editora de ambiente do The Conversation Brasil, Luciana Julião.
Ao reafirmar o papel estratégico da Finep no financiamento da ciência, da inovação e das tecnologias necessárias para mitigação e adaptação climática, o presidente da entidade, Luiz Antonio Elias, ressaltou que esta é, também, uma agenda de desenvolvimento e soberania nacional diante das tensões geopolíticas do processo global de transição energética, do controle sobre minerais críticos e da necessidade de garantir autonomia tecnológica ao Brasil.
“Nenhuma COP, por si só, resolve a crise climática. As mudanças não obedecem ciclos diplomáticos, nem aguardam consensos políticos internacionais. Elas avançam no cotidiano dos territórios, pressionando sistemas produtivos, infraestruturas, cidades, biomas e populações vulneráveis. Por isso, o verdadeiro teste da COP 30 começa agora. No modo como traduziremos compromissos internacionais em políticas públicas concretas, sustentadas por ciência, inovação, capacidade estatal e soberania nacional (…) Nesse esforço, quero saudar a forma cada vez mais efetiva com que estamos trabalhando em conjunto com o The Conversation Brasil, não só na questão da informação, mas da qualidade do conteúdo que geramos, em seminários como esse e nos outros que virão”, afirmou Luiz Antônio Elias, no discurso de abertura do evento.
No seminário, todos estes desafios foram abordados a partir de duas grandes temáticas: na mesa “Terra”, geólogos, geógrafos e engenheiros debateram aspectos das mudanças climáticas a partir de questões florestais e de uso da terra, com destaque para a Amazônia. Já a mesa “Água” trouxe oceanógrafos, biólogos marinhos e ecologistas para discutir os desafios do nosso litoral e demais recursos hídricos. Nele, a questão da exploração de óleo e gás na Margem Equatorial não foi esquecida.
Participaram do evento os seguintes acadêmicos e jornalistas:
PAINEL TERRA
Mediação: Ima Vieira, doutora em Ecologia pela Universidade de Stirling, Pesquisadora do Museu Paraense Emilio Goeldi e assessora da presidência da Finep.
Palestrantes:
. Thelma Krugg: Líder do Conselho Científico da COP 30 e assessora para assuntos de emergência climática do presidente do encontro, embaixador André Corrêa do Lago.
. Pedro Walfir: Doutor em Geologia e Geoquímica pela Universidade Federal do Pará.
. Marcos Barreto de Mendonça: Doutor em Geotecnia pela COPPE/UFRJ e professor do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da UFRJ.
. Ana Luiza Coelho Netto: Pós-doutora em Geomorfologia pela pela Universidade de Berkeley, professora do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da UFRJ e coordenadora do Laboratório de Geo-Hidroecologia e Gestão de Riscos da universidade. 11h30:
PAINEL ÁGUA
Mediação: Luciana Julião, coordenadora de redes sociais da UFMG e editora de ambiente do The Conversation Brasil
Palestrantes:
. Nils Edvin Asp Neto: Oceanógrafo e pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA), um dos maiores especialistas no cinturão de manguezais da Foz do Rio Amazonas.
. Mariana Bender: Bióloga, professora e pesquisadora do Departamento de Ecologia e Evolução da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
. Wenceslau Geraldes Teixeira: Doutor em Geoecologia pela Universidade de Bayreuth, Alemanha, e pesquisador da Embrapa.
. Letícia Cotrim: Doutora em Oceanologia pela Universidade de Perpignan (França), e professora Associada da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
